Dados do Autor

THEVET, ANDRé
Datas:
1516-1592
Local de nascimento:
Angoulême
Local de falecimento:
Paris
Descrição:
Nascido em Angoulême por volta de 1516, Thevet se tornou um frade franciscano. Sua educação inicial foi, aparentemente, limitada; sabe-se pouco a respeito do início de sua vida. Sua primeira excursão pelo mundo por volta de 1550, quando acompanhou o Cardeal Jean de Lorraine em uma excursão a Itália e a bacia do Mediterrâneo. Pouco tempo após, Thevet publicou seu "Cosmographie de Levant", um compêndio de fatos sobre as pessoas, lugares, flora e fauna da área.

A experiência de Thevet como viajante atraiu a atenção de Nicolas Durand, o Cavalheiro de Villegagnon, que estava se preparando para fundar uma colônia onde hoje é o Brasil. Ele pediu a Thevet para que acompanhasse a expedição como confessor. Thevet se sentiu doente durante a viagem e teve que retornar a França após apenas dez semanas no Brasil. Usando suas próprias observações, contudo, combinando-as com informações adquiridas com outros viajantes, Thevet logo produziu seu Singularitez de la France Antarctique. Ele combinava as descrições extensivas do Mundo Novo com comparações com autores eruditos da antiguidade clássica. Levantam-se questões a respeito da autoria deste livro. Pouco tempo após sua publicação, um escritor processou Thevet alegando que ele, e não Thevet, era o responsável pela escrita daquele livro, especialmente as referências eruditas. O fato deste processo ter sido estabelecido indica que ele tinha alguma base.

Após a publicação do Singularitez, Thevet recebeu reconhecimento real e se tornou cosmógrafo da corte dos Valois. Iniciou, então, seu trabalho mais ambicioso, a "Cosmographie Universelle", que descrevia e definia cada parte do mundo conhecido até então. Uma vez mais, um colaborador causou problemas. François de Belleforest, que escreveu em louvor de Thevet no Singularitez, aparentemente discutiu com ele e deixou seu emprego, publicando sua própria "Cosmographie", uma tradução da cosmografia de Sebastian Münster, em 1572.

Thevet alegou que muito do novo material de Belleforest tinha sido roubado. Certamente Belleforest roubou a luz de Thevet, e a publicação de 1575 da sua Cosmografia de 2000 páginas não teve muito sucesso. No entanto, a obra polêmica anti-Protestante chamou atenção do Huguenot Jean de Léry, que tinha viajado ao Brasil após Thevet. Em 1578, Léry publicou sua versão dos eventos no Brasil em seu "Histoire d'un voyage fact en la terre du Bresil". Sua obra criticava Thevet em inúmeras ocasiões.

O último trabalho publicado de Thevet, seu "Vrais pourtraits et vies des homes illustres", apareceu em 1584. A coleção de biografias de homens famosos (e três mulheres) acompanhada de seus retratos, chamou a atenção por suas biografias, fato evidenciado pela tradução de Jacques Amyot da vida de Plutarco. A obra também assinala o interesse contínuo de Thevet nos conflitos religiosos na França, dando apoio total à família Guise e criticando os Protestantes, notadamente Léry. O livro foi um fracasso comercial, talvez em função da reputação decaída de Thevet.

Thevet continuou a escrever sobre viagens reais ou imaginadas. Ele deixou dois manuscritos quando de sua morte em 1502, o "Grand Insulaire", um almanaque de ilhas ao redor do mundo, e o "Histoire de deux voyages", uma narração provavelmente exagerada de suas viagens que alegava que havia visitado o Mundo Novo não apenas uma vez, mas duas.

Enquanto hoje Thevet é visto pela maioria como um compilador e editor de experiências que pertenceu a outros, sua obra sobre o Brasil permanece útil àqueles que estudam os primeiros encontros dos franceses com o Mundo Novo. Suas outras obras, com suas descrições extensas e ilustrações prodigiosas, dão uma imagem bem ampla do conhecimento histórico e geográfico do século XVI.

Estas informações foram traduzidas do perfil biográfico criado por ELSA CONRAD para a Universidade de Virgínia.
Profissão:
Cosmógrafo
Editor
Frade Franciscano